Uma análise da equidade da sociedade civil no regime climático pós-Paris e nas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), com foco na mitigação, no papel do financiamento climático e na equidade e partilha justa entre e dentro dos países., Novembro 2025.
O mais recente relatório da Revisão da Equidade da Sociedade Civil, aprovado pela mais de 350 organizações da sociedade civil, grupos e movimentos sociais de todo o mundo, incluindo o CIDSE, foi lançado em 12 de novembro, em um evento paralelo durante a COP30 em Belém. A avaliação analisa a ambição e a equidade da nova rodada de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) apresentadas pelas Partes antes da COP30; revisa os últimos 10 anos de Avaliações de Equidade da Sociedade Civil e explica por que e como a equidade internacional e a desigualdade dentro dos países estão interligadas. O veredicto é claro: três décadas após a Cúpula da Terra do Rio e uma década depois do Acordo de Paris, os governos ainda priorizam o lucro em detrimento das pessoas – protegidos pela captura das elites e pela desinformação sobre combustíveis fósseis. A cooperação climática está se desfazendo, e a COP30 deve promover uma retomada justa, baseada na justiça, e não na ganância.

O relatório mostra que os países do Norte Global não conseguiram reduzir as emissões e continuam a expandir a exploração de petróleo e gás, além de não terem cumprido as promessas de financiamento. O sistema financeiro global também está falhando: em vez de fornecer fundos públicos na escala necessária, aprisiona muitos países em dívidas e dependência. Embora o Sul Global esteja mais próximo de cumprir sua parte justa, ainda precisa tomar medidas climáticas mais eficazes, mas muitas vezes é impedido por essa dívida e pela falta de recursos.
A cooperação climática está paralisada e as metas globais permanecerão inatingíveis a menos que a COP30 promova uma mudança radical – passando de empréstimos para doações, de financiamento orientado para o lucro para apoio público que permita aos países investir em energia limpa, resiliência e empregos.
O documento também alerta que a desigualdade dentro dos países está impulsionando a crise. Os ricos do mundo conseguem se proteger de muitos impactos climáticos, enquanto transferem os custos da transição e dos desastres para os trabalhadores e para sistemas públicos sobrecarregados. Essa captura pelas elites – particularmente pelos interesses dos combustíveis fósseis – de processos políticos cruciais está aprofundando a injustiça, alimentando a paralisia política e bloqueando as ações mais enérgicas necessárias para nos mantermos dentro dos limites climáticos. Essa paralisia se estende a conflitos militarizados que desviam trilhões de dólares da ação climática – a COP30 deve redirecionar esses recursos para a paz e para uma cooperação multilateral genuína.
A COP30 deve confrontar essa realidade política com um novo realismo climático – um que impulsione mudanças transformadoras rápidas, ancoradas na equidade, justiça e cooperação. O fracasso climático não se deve à falta de ambição, mas sim à injustiça. A COP30 deve provar que ambição e justiça não são opostos, mas sim inseparáveis.Somente ações justas podem desbloquear a escala de ação necessária.
O relatório identifica três avanços que a COP30 deve alcançar:
- Um exame do perigo de os países desenvolvidos ficarem tão aquém das suas quotas justas, especialmente a sua relutância em envolver-se em discussões sobre financiamento climático na escala necessária de biliões e não milhares de milhões,
- Discussão sobre a disponibilidade de dinheiro para financiamento climático e diversas áreas para possível financiamento,
- A necessidade de mudança sistêmica, com reformas divididas entre curto e longo prazo, necessárias para uma transição completa, afastando-nos da sociedade viciada em combustíveis fósseis e cada vez mais desigual que temos hoje.
Fonte: "O poder mortal da desigualdade: a COP30 deve resistir à captura política e priorizar as pessoas em detrimento dos lucros.Comunicado de imprensa, 12 de novembro de 2025
Imagem da capa: Contrastes da desigualdade – A Favela do Paraisópolis, a maior favela urbana de São Paulo, fica ao lado do Morumbi, um bairro com prédios residenciais altos e confortáveis para moradores mais ricos.
Crédito: Caio Pederneirasl/Shutterstock.

