Um artigo de Annia Klein, oficial de comunicações da CIDSE
De 10 a 22 de novembro, A CIDSE esteve em Belém para a COP30.—não apenas para o espaço oficial da COP, mas também para o Cúpula dos Povos E, por último, mas não menos importante, trazer ao Brasil a celebração do nosso 60º aniversário, valorizando uma comunidade de pessoas que trabalham pela mudança.
Quando os delegados da CIDSE desembarcaram em Belém, pudemos sentir o calor. Mas não apenas o calor da floresta e do clima — o calor das pessoas, das comunidades locais, das comunidades religiosas e dos líderes que convergiram para Belém para exigir mudanças. Não apenas do Brasil, mas da América Latina, África, Europa e Ásia. Vimos essa demanda por mudanças durante a COP. Mesmo que não tenha se refletido totalmente nas negociações ou no resultado final, vivenciamos uma convergência de pessoas cansadas de um sistema que age com muita lentidão, pessoas que não podem se dar ao luxo de esperar enquanto os mais vulneráveis enfrentam as consequências das mudanças climáticas — ou melhor, as consequências da demora na ação?
A urgência de uma mudança sistêmica
A CIDSE veio a Belém não esperando uma transformação completa da noite para o dia, mas sim para provar que nosso trabalho coletivo pode impulsionar a mudança sistêmica de que precisamos urgentemente. O multilateralismo funciona. A cooperação funciona. Mas o ritmo atual de ação está perigosamente desalinhado com a urgência da crise que enfrentamos. A mudança que vemos é positiva, mas o progresso gradual já não basta. Precisamos que o sistema responda agora, não depois — que acelere ações que gerem mudanças reais, duradouras e transformadoras para aqueles que estão na linha de frente. Foi nesse espírito que a CIDSE desenvolveu o Diálogos sobre Mudança SistêmicaPara abordar as causas profundas dos problemas que enfrentamos hoje e para reforçar a urgência que este momento exige.
Celebrando 60 anos de comunidade
Em Belém, a CIDSE também celebrou seu 60º aniversário. Reunimos cerca de 70 pessoas, incluindo membros, parceiros e aliados que fizeram parte dessa jornada conosco. Foi incrível ver tantas pessoas juntas, construindo pontes sobre as barreiras linguísticas e as diferenças culturais. Assim como em Bruxelas, graças ao Movimento Laudato Si', tivemos um rio especial representando não apenas a esperança, mas também a justiça. Ele percorreu todo o caminho desde... Conferência Raising Hope em Castel Gandolfo para Belém.
A celebração começou com um discurso de abertura da Secretária-Geral da CIDSE, Josianne Gauthier, que deu as boas-vindas a todos e criou uma atmosfera de transformação com palavras inspiradoras, traduzidas para o português pelo nosso amigo Padre Dario Bossi, da Igreja e Mineração.
"Estamos gratos por estarmos juntos no coração da Amazônia para trilhar juntos esta jornada, simbolizada pelo Rio da Solidariedade, para celebrar 60 anos de comunidade, relacionamentos e comunhão com parceiros, membros e novos amigos. Estamos aqui para compartilhar os resultados do processo que nos ajudou a nos preparar para Belém e as mensagens das vozes reunidas nos Diálogos de Mudança Sistêmica, e também para construir uma ponte para o que acontecerá depois de Belém. Teremos a responsabilidade de compartilhar essas histórias com as pessoas em nossas comunidades e continuar o trabalho juntos."

Mensagens de Coragem e Solidariedade
Em seguida, houve uma atividade incrível conduzida por Lisa Sullivan, do Escritório de Assuntos Globais de Maryknoll, organização membro da CIDSE nos EUA. Ela convidou os participantes a discutirem em diferentes grupos linguísticos e compartilharem seus desejos para os próximos anos, usando essa reflexão para escrever em um barquinho de papel — um barquinho que mais tarde flutuaria no rio da justiça que correu entre nós durante a noite, lembrando-nos por que estamos fazendo isso e por que precisamos continuar lutando. O mesmo exercício havia sido feito no Evento CIDSE em Bruxelas, conciliando as demandas do Norte Global com as do Sul Global em direção ao mundo que queremos ver no futuro.

O que começou como um simples exercício se transformou em um momento de profunda reflexão para os anos vindouros. O que queremos de nossas ações, de nossa comunidade e de nosso próprio trabalho nesses espaços? Qual é o futuro que desejamos e como podemos trilhá-lo? Refletimos juntos sobre essas questões, observando barcos navegando pelo rio da justiça, carregando mensagens de todos os cantos do mundo.
Ao lermos as mensagens nos barcos, nossos corações se aqueceram ao saber que não estamos sozinhos nesta luta por justiça. Muitas mensagens falavam de coragem, ação, resistência, esperança e da necessidade de espaços para ouvir e acolher as perspectivas das comunidades locais, para aprender juntos, para criar soluções e para expressar gratidão. E muito mais.
A atividade foi seguida por depoimentos impactantes dos organizadores e participantes do evento. Diálogos sobre Mudança Sistêmica do CIDSE na preparação para a COP30Apresentamos uma carta aberta e um apelo à ação desenvolvidos em conjunto pela comunidade, incluindo demandas de ativistas, comunidades locais e movimentos populares do Sul e do Norte globais. Ouvimos diretamente as pessoas que ajudaram a moldar os Diálogos de Mudança Sistêmica, desde organizações membros até aliados do Sul Global.

Um Ritual de Passagem
Este momento foi emocionante, pois a Irmã Rosita Sidasmed, Secretária Adjunta, Red Ecclesial del Gran Chaco y Aquífero Guarani A REGCHAG foi convidada a abençoar este ritual de passagem — à medida que estas mensagens eram transmitidas da CIDSE aos atores no terreno, às pessoas que levarão estas mensagens adiante, não só durante a COP, mas ao longo de todo o ano, em cada momento, em cada manifestação, em cada ação de defesa. Juntos, moldaremos o curso deste rio de justiça.

Foi isso que 60 anos de CIDSE construíram: não apenas uma organização, mas uma comunidade que sabe que a luta por justiça é longa, muitas vezes frustrante e absolutamente necessária. O calor que sentimos em Belém não era apenas raiva pela inação — era o calor da solidariedade, a chama da determinação, a esperança da nossa fé e a paixão que vem de saber que não estamos sozinhos.
O Rio da Justiça: Barquinhos de Papel Carregando Esperança
O rio continua fluindo em direção à justiça, mesmo quando parece impossivelmente distante. E nós continuamos presentes — uns pelos outros, pelas comunidades na linha de frente, por um futuro ao qual nos recusamos a entregar. Porque foi isso que o rio nos ensinou: você não precisa ver o destino para confiar que a correnteza está te levando até lá. Os barcos flutuando em nosso rio de justiça não eram apenas símbolos. Eram a prova de que, enquanto os governos hesitam, as pessoas já estão construindo o futuro que precisamos.
Um sincero agradecimento a todos que participaram e compartilharam esses momentos com o CIDSE.

Recursos adicionais:
- Álbum do Flickr: CIDSE na COP30.
- Comunicado de imprensa da CIDSE: Após a COP30 — O mundo não pode ignorar o apelo de Belém por justiça climática..
- CIDSE @ COP30.
- CIDSE@Belem.
- Diálogos sobre Mudança Sistêmica do CIDSE rumo à COP30 e além.
Contato CIDSE: Annia Klein, oficial de comunicações, CIDSE (klein(at)cidse.org)
Imagem de capa créditos: CIDSE.

